terça-feira, 8 de setembro de 2009

Reflexões pós-mudança

Fazia tempo que eu não me sentia assim. Carente. Ontem, depois de muitos e muitos meses, tive essa sensação. Era feriado e eu ainda via as bexigas da Isabela, a enteadinha, espalhadas pela sala. Não senti vontade de jogá-las fora.

Talvez a carência tenha sido reflexo da falta de acesso à internet - estou sem meu modem 3G, desde que ele teve seu USB danificado. Sem internet fica bem mais complicado interagir com a Paloma, nós que, quando estamos distantes, conversamos todos os dias pelo msn.

Mas seria só isso?

Na verdade, desde que me mudei para Jacarepaguá, para o mesmo lugar onde vivi por muitos anos, os sentimentos são estranhos. Eu ainda não consegui curtir a ideia de estar lá. A primeira semana foi esquisita. Era como voltar no tempo, para um cenário que mudou - em alguns aspectos para melhor, em outros tantos para pior. Um lugar que ainda conserva traços do que era entre 1991 e 2001, quando lá vivi pela última vez, mas que já não tem as mesmas circunstâncias, nem as mesmas pessoas. O apartamento e o bairro viraram um familiar estranho, desses que a gente reconhece, mas troca um "oi" meio sem graça ou sem assunto.

Acho que é esse um dos motivos que tem me feito sentir tão cansado no último mês. É curioso. Consequência de ter saído de Curitiba depois do fim de um casamento, no final do ano passado, fiquei dormindo em condições bem ruins entre janeiro e julho, num colchonete para faquir, na loja do meu pai, que me oferecera o local como um quebra-galho para que não precisasse enfrentar as cinco/seis horas diárias no trecho Itaipuaçu/Gávea/Itaipuaçu. As vezes, nos finais de semana, ia para onde estava a minha moradia oficial, um bom sobradinho em Itaipuaçu, alugado pelo meu tio, que até estava razoavelmente ajeitadinho com todas as minhas coisas, mas ficava no cu do mundo. E, no entanto, naquele período eu me sentia com mais energia do que agora, e nem mesmo me sentira sozinho como ontem me senti. Nesse último mês, já com uma casa para a qual posso ir todos os dias, onde posso tomar banho de verdade, onde posso dormir na minha cama, parece que caiu um pouco a minha energia. Acho que aqueles pequenos sacrifícios por que eu passava fazia com que eu estivesse mais ligado, que eu canalizasse tudo apenas para "levar-do-melhor-jeito-possível".

E talvez seja essa a razão da carência. Por já ter delineado um objetivo de em breve iniciar uma nova vida - e esta atual, em Jacarepaguá, ter desde o início um sentido provisório - é como se eu estivesse cumprindo um rito, uma contagem regressiva. É como se a "nova vida na nova casa" não fosse uma nova vida de verdade. A energia não está no apartamento atual. Talvez nem mais no emprego atual.

Tudo isso para pedir desculpas, amor. E dizer que, mesmo com todas essas ponderações, você tem razão. Eu não posso descuidar de mim mesmo - o tempo é agora e não posso desanimar. E eu quero ser melhor. Quero e preciso. Para ser mais feliz, para te fazer feliz.

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