O sarro é constante. Bastou um pouco de intimidade para ela não deixar passar nenhuma das minhas pequenas trapalhadas e lambanças cotidianas. Coisas sem muita consequência: deixar cair uma tampa de panela, sujar a camisa com molho, me enrolar com as moedas... Para fazer as coisas mais depressa, muitas vezes ajo de forma descuidada. Admito: coordenação motora nunca foi meu forte - lembro que lá pelos meus oito anos um professor de educação física tratou de dar essa informação aos meus pais. O que não seria nenhum trauma.Bom, mas de tanto me "encher" - para usar as palavras dela -, acabou que o feitiço ao longo das semanas foi virando contra a feiticeira. Mesmo sem querer, ela também passou a derrubar coisas no chão. A cena a seguir era sempre a mesma: olhava pra mim, com aquele olhar lindamente irônico, ligeiramente envergonhado, e usava uma justificativa um tanto malandra, mas com uma voz doce:
- É a convivência, amor.
Até que um certo dia, depois de mais algumas trapalhadinhas dela, eu não perdoei:
- Só botando na conta da convivência, né - disse eu, com uma leve ponta de sarcasmo.
Eis o porquê do nome deste nosso Blog.
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